Quando abri meus olhos nessa manhã

Quando abri meus olhos nessa manhã
O sol chegara e minha cabeça ainda doía.
E tão rápido quanto o abrir dos meus olhos
Pensei em você que não saiu mais de mim.

Que os homens não se enganem mais e se calem
Nada pode sua vontade e seu saber ainda é loucura.
Não ensinem mais seus filhos a sonhar e livre-os.
Que o coração não alimente mais qualquer desejo novo
As coisas antigas ainda machucam a alma.
Não incentivem mais a dúvida, seja o que for,
Que se arranquem as árvores ainda pequenas pelas raízes
Pois mais tarde não sairão do seu lugar.

Uma semente lançada depois de muitos dias nascerá
Sem tempo certo, pois tola vaidade é a urgência.
Nada sei, nem mesmo como isso se fará
Todos os adivinhos nada têm para revelar
Pois tal é o caminho do vento e o surgir da vida
Assim é o segredo do próximo dia que chega
E somente um trunfo podes segurar ó pobre vivente,
A fé. Que o fará crer, que o que há de ser será, e nascerá.

Ainda mais uma verdade ouvi nessa manhã de sol
Que bom é despir-se da insensatez para ver a luz
Lançando vida sobre essa desinquieta busca.
Mas contemplar é uma nobre arte que só a paz ensina.
Então vejo que nada mais resta nessa guerra sem tréguas
Os guerreiros não fazem poesia, fazem guerra.
Eis revelado o quão sutil é o segredo da vida:
Só um coração ilumina o caminho aos que sonham.

Quando abri meus olhos nessa manhã
Um guerreiro impávido me gritou alto seu desafio
E tão rápido quanto meu pensamento seus pés corriam.
Eram o tempo, reflexos de angústias ao vento.
Pensei em ti, benignidade és do Senhor.
Então as nuvens carregadas com estrondo fizeram chover
Toda sua força transtornou por completo minha alma
E eu exausto busquei em ti abrigo para renascer.