Crescimento das igrejas: três armadilhas

Para mim não é fácil escrever um artigo sobre os perigos do crescimento das igrejas. Primeiro, porque nunca fui pastor de uma igreja numerosa. Não sei o que isso significa. Segundo, porque a realidade que envolve o crescimento de uma igreja é sempre muito complexa. Espera-se que uma igreja saudável – que ensina a Palavra de Deus, evangeliza e faz discípulos de Cristo ¬– cresça numericamente.
Porém, a saúde e a fidelidade de uma igreja podem levá-la a crescer e ser relevante, bem como a sofrer e ser marginalizada. No entanto, como o crescimento e a visibilidade das igrejas despertam grande interesse e o status decorrente é muito sedutor – o que não acontece quando o que está em jogo é o sofrimento, a marginalidade e o martírio –, gostaria de refletir sobre os riscos, ou quem sabe, sobre os ídolos, que o crescimento numérico das igrejas pode apresentar.
A preocupação com o crescimento da igreja é legítima e necessária. Sempre foi. O desafio dessa expansão envolve afirmar a prioridade da missão, a centralidade do evangelho, a necessidade de falar para os de fora, bem como o esforço para ser relevante no contexto social e cultural, no estabelecimento de alvos objetivos, na importância de estratégias e no uso correto das ferramentas sociais e tecnológicas.
Embora esta preocupação com o crescimento seja percebida em toda a história cristã, as mudanças sociais das últimas décadas trouxeram novas realidades, que precisam ser analisadas criticamente. Há três décadas, a preocupação dos evangélicos era com a missão integral e a luta por transformação política e social. A preocupação hoje é com a igreja local, seu crescimento, e sua presença na sociedade. Antes o foco estava na esfera pública; agora, na esfera privada da vida comunitária. Antes a palavra de ordem era “revolução”, hoje é “relevância”.
A busca por uma igreja relevante abre portas para um novo mundo, trazendo novos desafios e possibilidades. Por outro lado, abre brechas para o risco de a igreja se comprometer, muitas vezes sem perceber, com o espírito desta era. Modernizar e inovar não são um problema em si. Porém, é preciso olhar criticamente para a forma como se faz a busca por relevância e de que maneira se lança mão dos recursos modernos de crescimento. É necessário discernir os riscos que tais ações representam para o futuro do cristianismo.
A expressão “crescimento” pode ser compreendida em termos quantitativos (número de membros, orçamento, projetos) e qualitativo (maturidade, caráter, profundidade). Ambos são importantes, e um não exclui, necessariamente, o outro. No entanto, o crescimento quantitativo nem sempre promove um crescimento qualitativo, mas sempre desperta um fascínio em função da visibilidade e do prestígio que uma grande igreja proporciona para seus líderes e membros. É aqui que enfrentamos um grave risco: o de se construir a casa (igreja) sobre a areia e não sobre a rocha, segundo a parábola de Jesus.

CARACTERÍSTICAS DAS IGREJAS QUE CRESCEM

As igrejas que mais crescem possuem, pelo menos, três características comuns: uso intenso de modernas ferramentas tecnológicas, forte liderança pessoal e uma poderosa marca institucional. É claro que existem outras características, mas quero me deter nestas três e refletir sobre os riscos que elas representam para o futuro da igreja.
A revolução tecnológica da segunda metade do século 20 e deste início de século 21 mudou o cenário religioso. A busca pela excelência funcional e por uma comunicação eficiente ocupa o topo das prioridades de muitas igrejas. Possuímos tecnologia para um bom planejamento estratégico, música de excelente qualidade, projetos de crescimento eficientes.
O problema é que a tecnologia tem o poder de substituir aquilo que Deus faz por aquilo que é feito pelo homem. Vivemos o risco de um perigo semelhante ao que Paulo percebeu na igreja de Éfeso, cujos crentes, segundo o apóstolo, tinham aparência de piedade e no entanto lhe negavam o poder. Ter uma boa música, não nos torna, necessariamente, adoradores. Um bom planejamento estratégico não tem o poder de transformar mentes e corações. Projetos eficientes não fazem de nós verdadeiros discípulos de Cristo.
Igreja bem estruturada não é sinônimo de comunhão. A crítica à Igreja de Laodicéia é de que ela era rica e abastada e não precisava de coisa alguma. Inclusive de Deus. A tecnologia vem se tornando um substituto para a fé. Mas essa eficiência não substitui o poder transformador do evangelho. Precisamos perguntar: é possível discernir o que Deus está fazendo? O primeiro risco que a igreja enfrenta hoje é o da negação de Deus. Não a negação de sua existência, mas do seu poder.
Uma segunda característica comum é a forte liderança pessoal. A liderança forte, bem como a tecnologia, em si, não constitui um problema. O risco está naquilo que nem sempre é percebido. Se a tecnologia traz o risco de uma igreja sem Deus, a liderança forte traz o risco de uma igreja sem netos ou bisnetos. Hoje, o que mais atrai os fiéis a uma igreja, além de sua funcionalidade, é o carisma de seu líder.
Ao ser perguntado pela igreja que frequenta, a resposta mais comum é “a igreja de fulano de tal”. Essa liderança confere uma posição de destaque ao membro desta igreja. A pergunta é: igrejas assim sobreviverão à uma segunda ou terceira geração? Sobreviverão depois que seus grandes líderes saírem de cena? Sabemos que algumas megaigrejas na América do Norte entraram em rápido declínio na segunda geração de líderes.
O velho problema da igreja de Corinto se repete: uns são de Paulo, outros de Apolo, outros de Pedro e alguns chegam a dizer que são de Cristo. O personalismo intensifica o narcisismo, que muda o objeto da adoração. Tanto na política como na igreja, a figura forte de um líder compromete o futuro. Vive-se um apogeu glorioso seguido por um rápido vazio e declínio.
A terceira característica é a forte marca institucional, que a torna atraente. Aqui vejo dois perigos. O primeiro diz respeito à busca por relevância. Porém, o que precisa ser relevante, a igreja (instituição) ou o evangelho de Cristo? É possível ser relevante e, ao mesmo tempo, comprometido com a verdade? Sem o evangelho e sem a verdade, qualquer esforço para ser relevante se mostrará, cedo ou tarde, totalmente irrelevante. A imagem que Paulo usa é a do tesouro em vasos de barro.
Não é o evangelho de Cristo que desperta o interesse de muitos para a igreja hoje, mas a própria igreja com seus métodos, programas, música e tecnologia. Isso não é necessariamente ruim. Nem sempre as pessoas serão atraídas pelos motivos mais nobres. O problema é que o vaso vai se transformando não só na porta de entrada, mas num fim em si mesmo. Quanto mais atenção se dá ao vaso, menor valor terá o evangelho.
O outro perigo é a perda da consciência de ser povo de Deus, Corpo de Jesus Cristo. Algumas igrejas que crescem rapidamente atraem uma quantidade considerável de cristãos frustrados com suas igrejas de origem, que ali chegam como a última alternativa institucional de sua jornada cristã. Envolvem-se com paixão, adquirindo uma forte identidade com aquele grupo em particular. O problema é que não são mais capazes de se verem como parte do povo de Deus em uma determinada região ou cidade, mas apenas como povo de Deus de uma igreja particular. É a negação do “povo de Deus” e a afirmação perigosa de uma elite religiosa superior.

CUIDADOS NO CRESCIMENTO

O desafio do movimento moderno de crescimento de igrejas requer alguns cuidados. O primeiro é o de preservar Deus como Deus na igreja. A tecnologia pode nos ajudar em muitas coisas, mas não transforma o coração e a mente caída do ser humano. Só seremos relevantes enquanto permanecermos envolvidos pelo que é eterno. Podemos usar os recursos modernos, mas precisamos nos assegurar que o que virá pela frente serão vidas transformadas pelo poder do evangelho de Jesus Cristo e não consumidores de programas e entretenimento religiosos.
O segundo cuidado é reconhecer a virtude da humildade. O testemunho de João Batista era: convém que ele cresça e que eu diminua. Este deve ser o espírito de qualquer líder. Jesus advertiu seus discípulos em relação ao risco do poder quando disse que entre os grandes e poderosos deste mundo, o maior manda nos menores. No entanto, disse ele, entre vocês não será assim. Quando a admiração por um líder diminui a devoção a Cristo, é sinal de que o espírito desta era já nos capturou.
O terceiro cuidado é compreender que fomos batizados num corpo. Somos o povo de propriedade exclusiva de Deus. Adoramos a Deus em uma comunidade local – grande ou pequena –, mas o Deus que adoramos fez uma aliança com seu povo do qual somos parte. O precioso tesouro foi confiado a um vaso de barro. Seja este vaso grande e inovador, ou pequeno e discreto, o que importa é o tesouro confiado a ele, sempre. Se a relevância pertencer ao vaso, o tesouro será negado à humanidade. É o Corpo de Cristo, todo ele, que revela a glória do cabeça da Igreja.
Os riscos do crescimento são invisíveis, mas muito grandes. Construir uma casa sobre a areia sempre foi uma opção atraente e sedutora. Mas formar discípulos fiéis e obedientes de Jesus Cristo, ensiná-los a guardarem seus mandamentos e obedecê-los, integrá-los em uma comunidade de adoração e serviço sacrificial, sempre foi uma tarefa difícil, lenta e trabalhosa.
Porém, quando vierem as tempestades e os vendavais testando o valor da fé, esta igreja, edificada sobre a rocha, testemunhará a glória da verdade redentora de Jesus Cristo.

Ricardo Barbosa de Sousa.
Fonte Cristianismo Hoje

Igreja

“No início, a igreja era um grupo de homens e mulheres centrados no Cristo vivo. Então, a igreja chegou à Grécia e tornou-se uma filosofia. Depois, chegou até Roma e tornou-se uma instituição. Em seguida, à Europa, e tornou-se uma cultura. E, finalmente, chegou à América, e tornou-se business.”

RICHARDSON HALVERSON

Sobre tornar-se menor para ser grande

superiority

Algum tempo atrás, ouvimos uma pequena palestra de um jovem pregador, na qual ele fez a seguinte afirmação: “Se você é grande demais para uma posição insignificante, você é pequeno demais para uma posição importante”. Uma antiga regra do reino de Deus é que quando procuramos ser grandes, naquela mesma hora, sempre, nos tornamos insignificantes. Deus é zeloso da Sua glória e não permitirá a homem nenhum que a reparta com Ele. O esforço por parecer grande diante dos homens trará o desfavor de Deus sobre nós e na verdade nos impedirá de alcançar a grandeza que tanto ansiamos.

A humildade agrada a Deus onde quer que se encontre, e o humilde terá Deus como seu amigo e ajudador em todo tempo. É apenas o humilde que é mentalmente são por completo, porque ele é o único que vê com clareza o seu próprio tamanho e limitações. O egoísta vê as coisas fora de foco. No seu próprio conceito, ele é grande e Deus é pequeno, e isso é uma espécie de insanidade moral. A humildade é uma volta à sanidade, como aconteceu a Nabucodonosor. O humilde avalia tudo de forma correta, e isso o torna um sábio e um filósofo. Os jovens cristãos muitas vezes emperram a própria utilidade por causa da atitude que têm para consigo mesmos. Eles começam com a ingênua ideia de que se encontram pelo menos um pouco acima da média nos quesitos inteligência e habilidade e, em conseqüência, sentem-se envergonhados se tiverem de assumir um lugar humilde. Eles querem começar no topo e seguir daí pra cima! O que acontece é que normalmente eles falham em corresponder ao lugar importante que se imaginam qualificados a ocupar e acabam desenvolvendo um crônico ressentimento para com qualquer pessoa que se ponha no seu caminho ou não lhes dá o devido valor. À medida que envelhecem, isso passa a incluir quase todo mundo. Por fim, surge uma profunda e permanente inveja amargurada contra o mundo todo.

Desenvolvem, por fim, uma expressão de santidade azeda e assumem uma aparência de mágoa santa que eles imaginam que deve ser igual à que estava na face dos mártires das arenas romanas. Isso é sério demais para ser engraçado, e por demais trágico e nocivo para ser considerado levianamente. A verdade pura e simples é que ninguém pode atrapalhar um homem que se humilhe por completo. Não há suficientes montanhas no inferno para sufocar o verdadeiro homem ou a verdadeira mulher de Deus, mesmo que fossem empilhadas sobre ele ou ela de uma só vez. Deus escolhe os mansos para confundir os poderosos: “Da boca de pequeninos e crianças de peito suscitaste força, por causa dos teus adversários, para fazeres emudecer o inimigo e o vingador” (Salmo 8.2). As crianças de peito são exatamente o que são – não têm orgulho em si mesmas e não guardam rancor. Eis uma pista para os cristãos.

A. W. Tozer
Extraído de Discernimento Cristão. Fonte: Titulo original, “Tornar-Se Menor Ao Tentar Ser Grande” do livro This World: Playground or Battleground, capítulo 13.

10 maneiras de arruinar sua vida (e como escapar dessas armadilhas sedutoras)

8f83a4e0-bcd3-45ba-9190-e3e733cbf37cDepois de ser informado sobre a direção perigosa e destrutiva que duas adolescentes estão dando às suas vidas, adolescentes que até pouco tempo estavam sob nossos cuidados na Igreja Batista; resolvi preparar esse estudo/palestra. Essa não é sua forma definitiva, estou apenas no primeiro esboço; caso queira contribuir, agradeço imensamente.

  1. Ignore o conselho dos seus pais.
  2. Não leve a sério seus estudos.
  3. Envolva-se com más amizades.
  4. Esqueça que Deus te ama.
  5. Não acredite que Deus te criou com um propósito especial.
  6. Leve na brincadeira a existência e a intensão do diabo e seus demônios.
  7. Nunca fale com ninguém os pensamentos e sentimentos ruins ou tristes que você às vezes tem.
  8. Pense que disciplina é coisa de CDF’s.
  9. Tenha apenas amigos puxa-sacos.
  10. Aceite que é impossível mudar sua vida e que seu destino já está traçado.

Ainda vou analisar para ver se mudo algum desses tópicos ou altero a ordem deles. Então serão abordados da maneira mais crua e direta possível.

 

Programa anual de Mensagens & Sermões

13781879_10209939120380790_6433430326051524186_n (1)O exercício da vida cristã requer o conhecimento de uma diversidade de doutrinas bíblicas. Algumas são mais urgentes (o evangelho, a justificação pela fé, o pecado); enquanto que outras, como a doutrina escatológica, mesmo não tendo uma importância tão central, são fundamentais para compreender aspectos diversos da vida cristã e ajudam a moldar a cosmovisão cristã.

A falta de um planejamento acaba fazendo com que muitos pregadores, inclusive eu, negligenciem vários temas; o que causa uma carência de conhecimento em diversas áreas. Raramente pastores tratam de temas como “a justificação pela fé”, a união mística do cristão com Cristo, as duas naturezas de Cristo, as principais abordagens escatológicas, etc.

Pensando nisso elaborei o seguinte planejamento anual.

TEMAS PRINCIPAIS (PELO MENOS UMA VEZ A CADA TRIMESTRE)

  • Doutrina do pecado
  • Doutrina da graça
  • Cinco solas (Sola gratia, sola fide, sola christus, sola scriptura, soli deo gloria)
  • Cinco pontos do calvinismo (depravação total, eleição incondicional, expiação ilimitada, graça irresistível, perseverança dos santos)
  • Justiça Social
  • João 3.16 – Plano de Salvação
  • Desafios contemporâneos imediatos (aborto, refugiados, violência, etc)
  • Espírito Santo

TEMAS SECUNDÁRIOS (PELO MENOS UMA VEZ A CADA SEMESTRE)

  • Escatologia (segunda vinda, juízo final, céu, inferno, arrebatamento)
  • Fé e obras
  • Anjos e demônios
  • Batalha espiritual
  • A trindade
  • Milagres

TEMAS EVENTUAIS (PELO MENOS UMA VEZ AO ANO)

  • A Bíblia (a história da revelação)
  • A Igreja (local e universal, militante e gloriosa)
  • Satanás (origem, métodos e missão)
  • A lei e a graça
  • A Igreja Batista (nossa história, valores e missão)