Onde Está a Igreja Quando Alguém Sofre?

Lonely Old Church

Não faz muito tempo, estava lendo Mateus, quando percebi assustado que o próprio Jesus previu a exata situação desagradável de ser esquecido depois que fosse embora. Quatro parábolas no final de Mateus, entre as últimas que Jesus contou, têm o tema comum escondido na cena de fundo. Um proprietário deixa a sua casa vazia, um senhor de terras ausente coloca seu servo como responsável, um noivo chega tão tarde que os convidados ficam sonolentos e adormecem, um senhor distribui talentos entre os seus servos e parte — todas elas circulam ao redor do tema do Deus que partiu.

Na verdade, as histórias de Jesus antecipavam a questão central da era atual: “Onde está Deus agora?”. A resposta de hoje, de pessoas como Nietzsche, Freud, Marx, Camus e Beckett, é que o senhor das terras nos abandonou, deixando-nos livres para estabelecer nossas próprias regras.

Deus absconditus. Em lugares como Auschwitz e Ruanda temos visto versões vivas daquelas parábolas, exemplos impressionantes de como alguns vão agir quando deixarem de crer num soberano senhor da terra. Se não existe Deus, como disse Dostoievski, então tudo é permissível.
Continuando a ler, chego a uma parábola, a da ovelha e dos bodes, talvez a última que Jesus ensinou (Mt 25.31-46). Eu conhecia bem essa parábola. Ela é forte e perturbadora como tudo o que Jesus dizia. Mas nunca antes havia percebido sua conexão lógica com as quatro parábolas que a precedem.

De duas maneiras a parábola das ovelhas e dos bodes responde diretamente às perguntas suscitadas pelas outras: a questão do senhor de terras ausente, o Deus desaparecido. Primeiro, dá um vislumbre do retorno do senhor de terras no dia do juízo, quando haverá inferno para castigar — literalmente. Quem partiu vai retornar, dessa vez em poder e glória, para ajustar contas por tudo o que aconteceu na terra. “Varões galileus”, disseram os anjos, “por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir.”

Segundo, a parábola refere-se ao período intermediário, o intervalo de duração de séculos em que vivemos agora, o período em que Deus parece ausente. A resposta a essa questão moderna é ao mesmo tempo profunda e chocante. Deus não se ocultou de maneira nenhuma. Antes assumiu um disfarce, o mais inverossímil disfarce dos estrangeiros, dos pobres, dos famintos, dos prisioneiros, dos enfermos, dos maltrapilhos da terra: “Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”. Se não podemos detectar a presença de Deus no mundo, pode ser que tenhamos procurado nos lugares errados.

Comentando essa passagem, o grande teólogo americano Jonathan Edwards disse que Deus designou os pobres como seus “cobradores”. Uma vez que não podemos expressar nosso amor fazendo alguma coisa que beneficie a Deus diretamente, Deus quer que façamos alguma coisa proveitosa para os pobres, que têm a incumbência de receber o amor dos cristãos.

Uma noite eu estava distraidamente mudando de canal na televisão quando deparei com o que parecia ser um filme para crianças, estrelado pela jovem Hayley Mills. Acomodei-me e comecei a assistir ao desenrolar do enredo. Ela e dois amigos encontraram, ao brincar num celeiro, um vagabundo (Alan Bates) a dormir na palha.

—  Quem é você? — Mills perguntou.
O vagabundo despertou de repente e, vendo as crianças, murmurou:
— Jesus Cristo!

O que ele usou como exclamação, as crianças interpretaram como resposta. Na verdade creram que o homem era Jesus Cristo. No restante do filme (O Vento Tem Seus Segredos), trataram o vagabundo com admiração, respeito e amor. Trouxeram-lhe alimento e cobertores, assentaram-se e conversaram com ele, e lhe falaram acerca de suas vidas. Com o correr do tempo a ternura delas transformou o vagabundo, um fugitivo condenado que nunca havia recebido tanta bondade antes.

A mãe de Mills, que escreveu a história, pretendia que ela fosse uma alegoria do que poderia acontecer se todos aceitássemos literalmente as palavras de Jesus acerca dos pobres e necessitados. Servindo-os, servimos a Jesus. “Somos uma ordem contemplativa”, madre Teresa disse a um rico visitante americano que não conseguia compreender seu veemente compromisso com a ralé de Calcutá. “Primeiro meditamos sobre Jesus, depois saímos e o procuramos disfarçado.”

Quando reflito acerca da última parábola de Mateus 25, conscientizo-me de que minhas interrogações acerca de Deus são na realidade interrogações bumerangues que voltam diretamente para mim. Por que Deus permite que bebês nasçam nos guetos do Brooklyn e junto a um rio da morte em Ruanda? Por que Deus permite prisões, asilos para desabrigados e campos de refugiados? Por que Jesus não acabou com as desordens nos anos em que viveu aqui?

De acordo com essa parábola, Jesus sabia que no mundo que deixou para trás estariam presentes os pobres, os famintos, os prisioneiros, os doentes. O estado decrépito do mundo não o surpreendeu. Fez planos para conviver com ele: um plano a longo prazo e um plano a curto prazo. O plano a longo prazo implica sua volta, em poder e grande glória, para endireitar o planeta Terra. O plano a curto prazo significa entregá-lo aos que vão finalmente introduzir a libertação do cosmo. Ele subiu ao céu para que pudéssemos tomar o seu lugar.

“Onde está Deus quando sofremos?”, tenho perguntado com freqüência. A resposta é outra pergunta: “Onde está a igreja quando alguém sofre?”.

Philip Yancey, extraído do livro “O Jesus Que Eu Nunca Conheci”.

Crescimento das igrejas: três armadilhas

Para mim não é fácil escrever um artigo sobre os perigos do crescimento das igrejas. Primeiro, porque nunca fui pastor de uma igreja numerosa. Não sei o que isso significa. Segundo, porque a realidade que envolve o crescimento de uma igreja é sempre muito complexa. Espera-se que uma igreja saudável – que ensina a Palavra de Deus, evangeliza e faz discípulos de Cristo ¬– cresça numericamente.
Porém, a saúde e a fidelidade de uma igreja podem levá-la a crescer e ser relevante, bem como a sofrer e ser marginalizada. No entanto, como o crescimento e a visibilidade das igrejas despertam grande interesse e o status decorrente é muito sedutor – o que não acontece quando o que está em jogo é o sofrimento, a marginalidade e o martírio –, gostaria de refletir sobre os riscos, ou quem sabe, sobre os ídolos, que o crescimento numérico das igrejas pode apresentar.
A preocupação com o crescimento da igreja é legítima e necessária. Sempre foi. O desafio dessa expansão envolve afirmar a prioridade da missão, a centralidade do evangelho, a necessidade de falar para os de fora, bem como o esforço para ser relevante no contexto social e cultural, no estabelecimento de alvos objetivos, na importância de estratégias e no uso correto das ferramentas sociais e tecnológicas.
Embora esta preocupação com o crescimento seja percebida em toda a história cristã, as mudanças sociais das últimas décadas trouxeram novas realidades, que precisam ser analisadas criticamente. Há três décadas, a preocupação dos evangélicos era com a missão integral e a luta por transformação política e social. A preocupação hoje é com a igreja local, seu crescimento, e sua presença na sociedade. Antes o foco estava na esfera pública; agora, na esfera privada da vida comunitária. Antes a palavra de ordem era “revolução”, hoje é “relevância”.
A busca por uma igreja relevante abre portas para um novo mundo, trazendo novos desafios e possibilidades. Por outro lado, abre brechas para o risco de a igreja se comprometer, muitas vezes sem perceber, com o espírito desta era. Modernizar e inovar não são um problema em si. Porém, é preciso olhar criticamente para a forma como se faz a busca por relevância e de que maneira se lança mão dos recursos modernos de crescimento. É necessário discernir os riscos que tais ações representam para o futuro do cristianismo.
A expressão “crescimento” pode ser compreendida em termos quantitativos (número de membros, orçamento, projetos) e qualitativo (maturidade, caráter, profundidade). Ambos são importantes, e um não exclui, necessariamente, o outro. No entanto, o crescimento quantitativo nem sempre promove um crescimento qualitativo, mas sempre desperta um fascínio em função da visibilidade e do prestígio que uma grande igreja proporciona para seus líderes e membros. É aqui que enfrentamos um grave risco: o de se construir a casa (igreja) sobre a areia e não sobre a rocha, segundo a parábola de Jesus.

CARACTERÍSTICAS DAS IGREJAS QUE CRESCEM

As igrejas que mais crescem possuem, pelo menos, três características comuns: uso intenso de modernas ferramentas tecnológicas, forte liderança pessoal e uma poderosa marca institucional. É claro que existem outras características, mas quero me deter nestas três e refletir sobre os riscos que elas representam para o futuro da igreja.
A revolução tecnológica da segunda metade do século 20 e deste início de século 21 mudou o cenário religioso. A busca pela excelência funcional e por uma comunicação eficiente ocupa o topo das prioridades de muitas igrejas. Possuímos tecnologia para um bom planejamento estratégico, música de excelente qualidade, projetos de crescimento eficientes.
O problema é que a tecnologia tem o poder de substituir aquilo que Deus faz por aquilo que é feito pelo homem. Vivemos o risco de um perigo semelhante ao que Paulo percebeu na igreja de Éfeso, cujos crentes, segundo o apóstolo, tinham aparência de piedade e no entanto lhe negavam o poder. Ter uma boa música, não nos torna, necessariamente, adoradores. Um bom planejamento estratégico não tem o poder de transformar mentes e corações. Projetos eficientes não fazem de nós verdadeiros discípulos de Cristo.
Igreja bem estruturada não é sinônimo de comunhão. A crítica à Igreja de Laodicéia é de que ela era rica e abastada e não precisava de coisa alguma. Inclusive de Deus. A tecnologia vem se tornando um substituto para a fé. Mas essa eficiência não substitui o poder transformador do evangelho. Precisamos perguntar: é possível discernir o que Deus está fazendo? O primeiro risco que a igreja enfrenta hoje é o da negação de Deus. Não a negação de sua existência, mas do seu poder.
Uma segunda característica comum é a forte liderança pessoal. A liderança forte, bem como a tecnologia, em si, não constitui um problema. O risco está naquilo que nem sempre é percebido. Se a tecnologia traz o risco de uma igreja sem Deus, a liderança forte traz o risco de uma igreja sem netos ou bisnetos. Hoje, o que mais atrai os fiéis a uma igreja, além de sua funcionalidade, é o carisma de seu líder.
Ao ser perguntado pela igreja que frequenta, a resposta mais comum é “a igreja de fulano de tal”. Essa liderança confere uma posição de destaque ao membro desta igreja. A pergunta é: igrejas assim sobreviverão à uma segunda ou terceira geração? Sobreviverão depois que seus grandes líderes saírem de cena? Sabemos que algumas megaigrejas na América do Norte entraram em rápido declínio na segunda geração de líderes.
O velho problema da igreja de Corinto se repete: uns são de Paulo, outros de Apolo, outros de Pedro e alguns chegam a dizer que são de Cristo. O personalismo intensifica o narcisismo, que muda o objeto da adoração. Tanto na política como na igreja, a figura forte de um líder compromete o futuro. Vive-se um apogeu glorioso seguido por um rápido vazio e declínio.
A terceira característica é a forte marca institucional, que a torna atraente. Aqui vejo dois perigos. O primeiro diz respeito à busca por relevância. Porém, o que precisa ser relevante, a igreja (instituição) ou o evangelho de Cristo? É possível ser relevante e, ao mesmo tempo, comprometido com a verdade? Sem o evangelho e sem a verdade, qualquer esforço para ser relevante se mostrará, cedo ou tarde, totalmente irrelevante. A imagem que Paulo usa é a do tesouro em vasos de barro.
Não é o evangelho de Cristo que desperta o interesse de muitos para a igreja hoje, mas a própria igreja com seus métodos, programas, música e tecnologia. Isso não é necessariamente ruim. Nem sempre as pessoas serão atraídas pelos motivos mais nobres. O problema é que o vaso vai se transformando não só na porta de entrada, mas num fim em si mesmo. Quanto mais atenção se dá ao vaso, menor valor terá o evangelho.
O outro perigo é a perda da consciência de ser povo de Deus, Corpo de Jesus Cristo. Algumas igrejas que crescem rapidamente atraem uma quantidade considerável de cristãos frustrados com suas igrejas de origem, que ali chegam como a última alternativa institucional de sua jornada cristã. Envolvem-se com paixão, adquirindo uma forte identidade com aquele grupo em particular. O problema é que não são mais capazes de se verem como parte do povo de Deus em uma determinada região ou cidade, mas apenas como povo de Deus de uma igreja particular. É a negação do “povo de Deus” e a afirmação perigosa de uma elite religiosa superior.

CUIDADOS NO CRESCIMENTO

O desafio do movimento moderno de crescimento de igrejas requer alguns cuidados. O primeiro é o de preservar Deus como Deus na igreja. A tecnologia pode nos ajudar em muitas coisas, mas não transforma o coração e a mente caída do ser humano. Só seremos relevantes enquanto permanecermos envolvidos pelo que é eterno. Podemos usar os recursos modernos, mas precisamos nos assegurar que o que virá pela frente serão vidas transformadas pelo poder do evangelho de Jesus Cristo e não consumidores de programas e entretenimento religiosos.
O segundo cuidado é reconhecer a virtude da humildade. O testemunho de João Batista era: convém que ele cresça e que eu diminua. Este deve ser o espírito de qualquer líder. Jesus advertiu seus discípulos em relação ao risco do poder quando disse que entre os grandes e poderosos deste mundo, o maior manda nos menores. No entanto, disse ele, entre vocês não será assim. Quando a admiração por um líder diminui a devoção a Cristo, é sinal de que o espírito desta era já nos capturou.
O terceiro cuidado é compreender que fomos batizados num corpo. Somos o povo de propriedade exclusiva de Deus. Adoramos a Deus em uma comunidade local – grande ou pequena –, mas o Deus que adoramos fez uma aliança com seu povo do qual somos parte. O precioso tesouro foi confiado a um vaso de barro. Seja este vaso grande e inovador, ou pequeno e discreto, o que importa é o tesouro confiado a ele, sempre. Se a relevância pertencer ao vaso, o tesouro será negado à humanidade. É o Corpo de Cristo, todo ele, que revela a glória do cabeça da Igreja.
Os riscos do crescimento são invisíveis, mas muito grandes. Construir uma casa sobre a areia sempre foi uma opção atraente e sedutora. Mas formar discípulos fiéis e obedientes de Jesus Cristo, ensiná-los a guardarem seus mandamentos e obedecê-los, integrá-los em uma comunidade de adoração e serviço sacrificial, sempre foi uma tarefa difícil, lenta e trabalhosa.
Porém, quando vierem as tempestades e os vendavais testando o valor da fé, esta igreja, edificada sobre a rocha, testemunhará a glória da verdade redentora de Jesus Cristo.

Ricardo Barbosa de Sousa.
Fonte Cristianismo Hoje

Igreja

“No início, a igreja era um grupo de homens e mulheres centrados no Cristo vivo. Então, a igreja chegou à Grécia e tornou-se uma filosofia. Depois, chegou até Roma e tornou-se uma instituição. Em seguida, à Europa, e tornou-se uma cultura. E, finalmente, chegou à América, e tornou-se business.”

RICHARDSON HALVERSON

Sobre tornar-se menor para ser grande

superiority

Algum tempo atrás, ouvimos uma pequena palestra de um jovem pregador, na qual ele fez a seguinte afirmação: “Se você é grande demais para uma posição insignificante, você é pequeno demais para uma posição importante”. Uma antiga regra do reino de Deus é que quando procuramos ser grandes, naquela mesma hora, sempre, nos tornamos insignificantes. Deus é zeloso da Sua glória e não permitirá a homem nenhum que a reparta com Ele. O esforço por parecer grande diante dos homens trará o desfavor de Deus sobre nós e na verdade nos impedirá de alcançar a grandeza que tanto ansiamos.

A humildade agrada a Deus onde quer que se encontre, e o humilde terá Deus como seu amigo e ajudador em todo tempo. É apenas o humilde que é mentalmente são por completo, porque ele é o único que vê com clareza o seu próprio tamanho e limitações. O egoísta vê as coisas fora de foco. No seu próprio conceito, ele é grande e Deus é pequeno, e isso é uma espécie de insanidade moral. A humildade é uma volta à sanidade, como aconteceu a Nabucodonosor. O humilde avalia tudo de forma correta, e isso o torna um sábio e um filósofo. Os jovens cristãos muitas vezes emperram a própria utilidade por causa da atitude que têm para consigo mesmos. Eles começam com a ingênua ideia de que se encontram pelo menos um pouco acima da média nos quesitos inteligência e habilidade e, em conseqüência, sentem-se envergonhados se tiverem de assumir um lugar humilde. Eles querem começar no topo e seguir daí pra cima! O que acontece é que normalmente eles falham em corresponder ao lugar importante que se imaginam qualificados a ocupar e acabam desenvolvendo um crônico ressentimento para com qualquer pessoa que se ponha no seu caminho ou não lhes dá o devido valor. À medida que envelhecem, isso passa a incluir quase todo mundo. Por fim, surge uma profunda e permanente inveja amargurada contra o mundo todo.

Desenvolvem, por fim, uma expressão de santidade azeda e assumem uma aparência de mágoa santa que eles imaginam que deve ser igual à que estava na face dos mártires das arenas romanas. Isso é sério demais para ser engraçado, e por demais trágico e nocivo para ser considerado levianamente. A verdade pura e simples é que ninguém pode atrapalhar um homem que se humilhe por completo. Não há suficientes montanhas no inferno para sufocar o verdadeiro homem ou a verdadeira mulher de Deus, mesmo que fossem empilhadas sobre ele ou ela de uma só vez. Deus escolhe os mansos para confundir os poderosos: “Da boca de pequeninos e crianças de peito suscitaste força, por causa dos teus adversários, para fazeres emudecer o inimigo e o vingador” (Salmo 8.2). As crianças de peito são exatamente o que são – não têm orgulho em si mesmas e não guardam rancor. Eis uma pista para os cristãos.

A. W. Tozer
Extraído de Discernimento Cristão. Fonte: Titulo original, “Tornar-Se Menor Ao Tentar Ser Grande” do livro This World: Playground or Battleground, capítulo 13.

10 maneiras de arruinar sua vida (e como escapar dessas armadilhas sedutoras)

8f83a4e0-bcd3-45ba-9190-e3e733cbf37cDepois de ser informado sobre a direção perigosa e destrutiva que duas adolescentes estão dando às suas vidas, adolescentes que até pouco tempo estavam sob nossos cuidados na Igreja Batista; resolvi preparar esse estudo/palestra. Essa não é sua forma definitiva, estou apenas no primeiro esboço; caso queira contribuir, agradeço imensamente.

  1. Ignore o conselho dos seus pais.
  2. Não leve a sério seus estudos.
  3. Envolva-se com más amizades.
  4. Esqueça que Deus te ama.
  5. Não acredite que Deus te criou com um propósito especial.
  6. Leve na brincadeira a existência e a intensão do diabo e seus demônios.
  7. Nunca fale com ninguém os pensamentos e sentimentos ruins ou tristes que você às vezes tem.
  8. Pense que disciplina é coisa de CDF’s.
  9. Tenha apenas amigos puxa-sacos.
  10. Aceite que é impossível mudar sua vida e que seu destino já está traçado.

Ainda vou analisar para ver se mudo algum desses tópicos ou altero a ordem deles. Então serão abordados da maneira mais crua e direta possível.

 

A síndrome de Esaú

“E ninguém seja devasso, ou profano, como Esaú, que por uma refeição vendeu o seu direito de primogenitura” – Hebreus 12:16.

Enquanto Jacó abriu mão de algo pequeno e momentâneo para conseguir o que é grande e eterno; seu irmão Esaú, ao trocar seus direitos de filho mais velho pelo prato de lentilhas, fez exatamente o contrário.

Ao fazer isso Esaú:

  1. Preocupou-se apenas com seu estômago e não com sua história;

  2. Pensou apenas no momento imediato e desprezou o futuro;

  3. Mostrou desapego com as bênçãos que havia herdado de seus pais;

  4. Pensou somente no que ele era e não no que viria a ser;

  5. Olhou apenas o que era visível e estava dele, ignorando o que era distante e invisível.

  6. Ficou fascinado com o aspecto da comida; sua visão, olfato e paladar desejaram a comida e suas crenças e propósitos não foram fortes o bastante para impedir.

Jacó trocou aquilo que não era nada para ganhar tudo; seu irmão, no entanto, perdeu tudo para ganhar aquilo que não era nada.

Devemos considerar nossas escolhas diárias à luz da trágica história de Esaú. Pode acontecer também que nós, para satisfazermos nossos prazeres e necessidades passageiras, abramos mãos das bênçãos e dos privilégios dados por Deus.

É trágico mas não é raro, tão comum como uma das muitas síndromes que nos acometem: o tempo todo há pessoas só pensando no que é imediato, só vendo o que está diante dos olhos; e assim, desprezam grandes riquezas futuras em trocas de migalhas cotidianas (e muitas vezes nem se dão conta).

Quando abri meus olhos nessa manhã

Quando abri meus olhos nessa manhã
O sol chegara e minha cabeça ainda doía.
E tão rápido quanto o abrir dos meus olhos
Pensei em você que não saiu mais de mim.

Que os homens não se enganem mais e se calem
Nada pode sua vontade e seu saber ainda é loucura.
Não ensinem mais seus filhos a sonhar e livre-os.
Que o coração não alimente mais qualquer desejo novo
As coisas antigas ainda machucam a alma.
Não incentivem mais a dúvida, seja o que for,
Que se arranquem as árvores ainda pequenas pelas raízes
Pois mais tarde não sairão do seu lugar.

Uma semente lançada depois de muitos dias nascerá
Sem tempo certo, pois tola vaidade é a urgência.
Nada sei, nem mesmo como isso se fará
Todos os adivinhos nada têm para revelar
Pois tal é o caminho do vento e o surgir da vida
Assim é o segredo do próximo dia que chega
E somente um trunfo podes segurar ó pobre vivente,
A fé. Que o fará crer, que o que há de ser será, e nascerá.

Ainda mais uma verdade ouvi nessa manhã de sol
Que bom é despir-se da insensatez para ver a luz
Lançando vida sobre essa desinquieta busca.
Mas contemplar é uma nobre arte que só a paz ensina.
Então vejo que nada mais resta nessa guerra sem tréguas
Os guerreiros não fazem poesia, fazem guerra.
Eis revelado o quão sutil é o segredo da vida:
Só um coração ilumina o caminho aos que sonham.

Quando abri meus olhos nessa manhã
Um guerreiro impávido me gritou alto seu desafio
E tão rápido quanto meu pensamento seus pés corriam.
Eram o tempo, reflexos de angústias ao vento.
Pensei em ti, benignidade és do Senhor.
Então as nuvens carregadas com estrondo fizeram chover
Toda sua força transtornou por completo minha alma
E eu exausto busquei em ti abrigo para renascer.

Cultura Cristã

“O inimigo nem sempre está do lado de fora. Crenças erradas entre os cristãos,  como o gnosticismo suave, sabotam a cultura cristã do lado de dentro”.

 A. B. Caneday, Ph.D. e professor de Novo Testamento e Grego no Northwestern College comentando o livro de P. Andrew Sandlin, Cultura Cristã.

Efésios 3

Por meio do Espírito

Deus revelou seu plano secreto: fazer com que todas as pessoas, independente de raça, participem das bênçãos divinas. Esse é o propósito eterno de Deus que ele realizou

 Por meio de Jesus Cristo

e que deverá ser anunciado a todos

 Por meio da Igreja

que mostrará ao mundo a sabedoria de Deus em todas as suas diferentes formas. Mas para isso é necessário que todos nós estejamos unidos

 Por meio da fé

não permitindo que nenhum sofrimento nos faça desanimar. Por isso é necessário que

 Por meio do Espírito

tenhamos poder para sermos espiritualmente fortes e que

 Por meio da fé

Cristo viva em nossos corações de modo que tenhamos raízes e alicerces no amor para que nada nos faça desanimar ou nos afastar da comunhão junto com todo o povo de Deus. E assim,

 Por meio do poder

de Deus que opera em nós, toda a glória seja dada a Ele, que pode fazer muito mais do que nós pedimos ou pensamos.

As portas do “inferno”

Disse-lhe Jesus: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelou, mas meu Pai, que está nos céus. Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela – Mateus 16:17-18.

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A pergunta: O que Jesus quer dizer ao falar de as portas do inferno?

 Uma breve pesquisa na internet nos mostra que o entendimento é basicamente o mesmo. Um pastor escreve que esse texto fala do “embate da Igreja contra as portas do inferno”; que a fala de Jesus mostra “que iremos contra as portas do inferno” e não apenas nos defenderemos contra as investidas de Satanás.

O pastor Enéas Tognini afirma que “as portas na referência de Jesus vêm a ser: TRONO, PODER, DIGNIDADE”; querendo dizer com isso que essas são as características do poder de Satanás que precisa ser defenestrado pela ação ofensiva da Igreja, porque “quando o inimigo ataca a igreja e a igreja age apenas na posição defensiva leva a pior”.

Outro pastor diz: “Igreja, nos movamos em direção às portas do inferno, passemos por elas, e salvemos as pessoas que estão aprisionadas no pecado, na ignorância e, sobretudo, na religiosidade”.

Mas não, “portas da morte” não é sinônimo de “reino de Satanás” ou algo similar. Um simples exame no texto da palavra traduzida por “inferno” mostra a razão do equívoco quase geral na interpretação desse texto. Aqui Jesus não está falando da vitória da igreja contra as hostes espirituais da maldade ou contra o poder de Satanás, Jesus está simplesmente falando do poder da morte.

A melhor tradução seria “as portas do hades” ou “as portas da sepultura” não prevalecerão contra a igreja. Vamos entender isso melhor?

O “hades” era o nome que os antigos gregos davam ao deus que tinha autoridade sobre o mundo dos mortos. A Septuaginta (LXX – a tradução do Antigo Testamento na língua grega) usa essa palavra para traduzir a palavra hebraica “sheol”, termo usado para se referir ao lugar dos mortos, normalmente à sepultura ou à morte em geral. No grego clássico “hades” era um lugar que continha tanto os bons como os maus; diferente do “tártaro” que, no pensamento dos antigos gregos, era um abismo escuro que servia de prisão ao deus destronado Cronos e aos titãs derrotados. Com o tempo o sentido da palavra evoluiu para um lugar de sofrimento sem fim onde os ímpios eram julgados.

A palavra “hades” é usada para designar o lugar dos mortos, simbolizado pela sepultura. O rico e também Lázaro foram para o “hades” (Lucas 16), como também Cristo esteve lá (Atos 2.27-31). Quanto Jesus vai falar do lugar de tormento e lugar do diabo e seus anjos, ele usa outra palavra, “geena” (Mateus 5.22), também traduzida por inferno, mas que faz referência ao vale de Hinom, um lugar onde o fogo queimava continuadamente.

“Portas do hades”, aqui traduzida indevidamente de portas do inferno, era uma expressão oriental para indicar a corte, o trono, o poder e a dignidade do reino do mundo inferior. Mas, tanto no Antigo Testamento (“sheol”) como no nesse texto, é uma indicação do poder da morte.

Então, como interpretar corretamente esse versículo?

Ao dizer que “as portas do hades não prevalecerão contra a Igreja”, Jesus está profetizando a vitórias da Igreja contra todas as tentativas de destruição da Igreja através da perseguição e morte dos cristãos. Jesus está dizendo que mesmo que milhares de cristãos sejam perseguidos e mortos, a Igreja não será sepultada. A Igreja não será vencida pela morte.

A ideia principal é que a Igreja não será destruída por nenhum poder, nem mesmo pela morte. Obviamente isso envolve e inclui o reino de Satanás, pela ação de Satanás muitos cristãos são perseguidos e mortos; mas a fala de Jesus é mais abrangente. As portas do hades se abrem para devorar a humanidade inteira e ninguém escapa a ela; exceto a Igreja. Reinos e famílias, instituições e legados são vencidos pela morte; mas não a Igreja. Mesmo que morram os apóstolos, mesmo que os líderes e milhares de fiéis sejam devorados pelas portas do hades, a Igreja permanecerá. Chegará o dia em que o reino da morte será destruído por Cristo (1 Co 15.26); até lá a morte irá devorar muitos, mas não o suficiente para abalar a Igreja.

O Sangue dos Mártires é a Semente da Igreja (Tertuliano). Certamente muitos cristãos ficavam temerosos quanto ao futuro ao verem os imperadores romanos praticando atrocidades sucessivas contra os cristãos. Euzébio nos conta que Nero Agripa enchia cidades de cadáveres e não satisfeito, iluminou Roma ateando fogo em cristãos untados de piche. De acordo com a tradição foi a implacável perseguição movida por Nero que resultou na morte de Pedro e Paulo. Pedro teria sido crucificado de cabeça para baixo e Paulo decapitado.

A essa primeira onda de perseguição, que terminou com a morte de Nero em 68 d.C., seguiram-se várias outras. Mas, contrariando às expectativas dos imperadores romanos e confirmando as palavras de Jesus; por mais que matassem centenas de cristãos, o número de cristãos só aumentava e o cristianismo avançava desafiando o poderoso império romano. Tertuliano, que morreu em 222, entendeu que a morte não apenas era incapaz de derrotar a Igreja como também revelava o poder da Igreja. Os cristãos submetidos ao sofrimento e morte davam testemunho da sua fé inabalável em Cristo e essa era uma mensagem poderosa o bastante para fazer outros aceitarem a fé cristã. Por isso Tertuliano diz que “o sangue dos mártires é a semente da Igreja”.

Concluindo

Ao dizer que “as portas ‘da morte’ não prevalecerão contra a igreja”, Jesus está dizendo que a morte de nenhum dos seus apóstolos ou discípulos colocará em risco a existência da Igreja. Ao dizer isso, além de sugerir que o avanço da Igreja implicaria na morte de muitos dos seus, Jesus deixa claro que nenhum mal ou dificuldade, nenhum obstáculo ou crise e nem mesmo a mais implacável perseguição será capaz de deter o avanço de sua Igreja.